Conto da passagem
Foi então que eu me apaixonei. Com a rapidez com que o vento atravessa um coração. E ela estava ali, do meu lado. Linda. Tentando estudar, desconcentrada, mexendo no cabelo. Tentei imaginar como seria sua voz, seu gosto. Doce, provavelmente. Seu corpo, inquieto, contrastava com o olhar poético. E eu estava mesmo apaixonado, nas nuvens.
E ela brincava com os dedos, e mexia a cabeça de um lado para o outro e, às vezes, dava um sorrisinho. Bastante pensativa. Talvez estivesse lembrando-se de uma noite, de um sonho ou até, quem sabe, pensando em poesia.
Em pouco tempo, começou a chorar. E eu não compreendi. Continuei a observar as lágrimas e a ver um mar onde ela via enchente. Afogados em águas distintas, estávamos separados. Ela ainda estava do meu lado. Eu ainda estava apaixonado.
Nas horas seguintes, não fiz mais que admirá-la. Parecia-me de outro mundo, ela não era para mim. Mas linda, isso era. E eu a admiraria para sempre.
Tirou os sapatos e soltou o cabelo, parecia querer liberdade. Estava quente, ficou pálida. Pressão baixa. Precisava de sal, mas a doçura de sua pele a impedia de melhorar. Branca, séria, passando mal. Senti vontade de dizer: “te amo mesmo assim”. Não disse, eu apenas olhava. Chegou socorro, ela tomou remédio, melhorou.
Logo, ficou entediada. Com sono talvez. Levantou-se e, ao passar da porta, não a vi mais. Ela era tão linda e eu a amava.
No dia seguinte, acordei com o pescoço doendo. É a conseqüência de passar o dia olhando para o lado. Eu estava com raiva, não a amava mais.
E ela brincava com os dedos, e mexia a cabeça de um lado para o outro e, às vezes, dava um sorrisinho. Bastante pensativa. Talvez estivesse lembrando-se de uma noite, de um sonho ou até, quem sabe, pensando em poesia.
Em pouco tempo, começou a chorar. E eu não compreendi. Continuei a observar as lágrimas e a ver um mar onde ela via enchente. Afogados em águas distintas, estávamos separados. Ela ainda estava do meu lado. Eu ainda estava apaixonado.
Nas horas seguintes, não fiz mais que admirá-la. Parecia-me de outro mundo, ela não era para mim. Mas linda, isso era. E eu a admiraria para sempre.
Tirou os sapatos e soltou o cabelo, parecia querer liberdade. Estava quente, ficou pálida. Pressão baixa. Precisava de sal, mas a doçura de sua pele a impedia de melhorar. Branca, séria, passando mal. Senti vontade de dizer: “te amo mesmo assim”. Não disse, eu apenas olhava. Chegou socorro, ela tomou remédio, melhorou.
Logo, ficou entediada. Com sono talvez. Levantou-se e, ao passar da porta, não a vi mais. Ela era tão linda e eu a amava.
No dia seguinte, acordei com o pescoço doendo. É a conseqüência de passar o dia olhando para o lado. Eu estava com raiva, não a amava mais.
